A Tributaçao do indébito tributário pelo STF

A TRIBUTAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO PELO STF

Considerando o recente êxito dos contribuintes no que tange a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e, portanto, do indébito tributário a que terão direito, iniciaram-se diversos questionamentos sobre a tributação destes.

Assim, o Tema 962 do STF ganhou enorme repercussão, principalmente, pelo fato do Presidente do STF – Ministro Dias Tóffoli – ter liberado para julgamento o Recurso Extraordinário nº 1.063.187.

Referido julgamento decidirá sobre a incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre a correção (Taxa Selic) dos valores decorrentes de repetição de indébitos tributários. Ou seja, o STF decidirá acerca da incidência ou não da tributação sobre renda decorrente da disponibilidade a que têm direito os contribuintes, em razão da aplicação da Selic sobre a repetição do indébito.

A discussão é de extrema relevância porque impacta a totalidade dos casos de repetição de indébito tributário dos últimos cinco anos, pois quase que a integralidade destes possui a atualização pela aplicação da taxa Selic. Além disso, os valores da Selic representam grande monta da repetição do indébito, podendo inclusive, superar o valor principal a ser repetido.

O tema também passou a ser muito atual, haja vista os questionamentos dos contribuintes sobre o que tributar quando do reconhecimento do indébito atualizado pela Selic decorrente dos trânsitos em julgados da exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins.

Como podemos perceber, embora a discussão sobre a tributação dos valores recebidos a título de juros e correção em razão da aplicação da taxa Selic não seja nova nas cortes superiores, o futuro julgamento da matéria pelo STF torna possível uma mudança no entendimento desfavorável até então.

Assim sendo, cabe ao contribuinte levar essa discussão ao Judiciário antes do julgamento definitivo do RE nº 1.063.187 pelo STF, para contestar a incidência do IRPJ e da CSLL sobre as correções pela Selic decorrente das repetições do indébito tributário.

Por Dr. Guilherme Gomes Xavier de Oliveira, advogado do Setor de Direito Tributário do Escritório Casillo Advogados