Aprovação da nova Lei de Franchising: impressões iniciais

Por Luiz Phillip N. G. Moreira, advogado do setor de Direito Societário/M&A, Contratos e Propriedade Intelectual do Casillo Advogados

No final do mês de dezembro, foi aprovada a Lei nº 13.966/2019 (a “Nova Lei de Franquias”), a qual dispõe sobre a estruturação de sistemas de franquias empresariais (franchising). A Nova Lei de Franquias entrará em vigor no final de março de 2020, revogando integralmente a Lei responsável até então pela matéria[1].

A Nova Lei de Franquias busca atualizar as normas aplicáveis nas relações entre franqueadores e franqueados, trazendo maior segurança às partes. Como uma das mudanças, a Nova Lei de Franquias é expressa ao caracterizar a relação de franchising como um contrato empresarial, jogando uma pá de cal em teses levantadas anteriormente no judiciário, que por sua vez buscavam o reconhecimento judicial deste tipo de contrato como uma relação empregatícia entre franqueador e franqueado ou até mesmo como uma relação de consumo entre as partes.

Entre outros aspectos e novidades, a Nova Lei de Franquias trouxe novas disposições sobre: (i) o rol de informações obrigatórias a serem incluídas na Circular de Oferta de Franquia (COF) pelo franqueador; (ii) sublocação do imóvel onde a franquia for instalada; e (iii) forma e jurisdição aplicável aos contratos de franquias internacionais.

Com relação às alterações da COF, a Nova Lei de Franquias incluiu 8 incisos que implementam novos requisitos mínimos, os quais devem, obrigatoriamente, estar presentes na Circular. Além do que já era necessário informar, a COF deve trazer esclarecimentos quanto à: regras de transferência e/ou sucessões da franquia, situações em que serão aplicadas penalidades, multas e indenizações (incluindo seus respectivos valores), além de especificações sobre prazo contratual e condições de renovação dos contratos.

A nova lei ainda prevê a possibilidade de sublocação do ponto comercial pelo franqueador ao franqueado. Neste cenário, o valor do aluguel pago na sublocação poderá ser superior ao pago pelo franqueador ao proprietário, desde que tal questão esteja especificada na COF e no contrato de franquia e não implique em onerosidade excessiva ao franqueado.

No âmbito dos contratos internacionais de franchising, a Nova Lei de Franquias determina que os contratos sejam escritos em língua portuguesa ou tenham tradução juramentada custeada pelo franqueador, podendo as partes adotar como foro de discussão qualquer um dos seus países de domicílio, porém devendo constituir representante legal ou procurador domiciliado no país do foro escolhido, com poderes para representá-las judicialmente.

Para as franquias internacionais, o novo texto prevê que as partes contratantes terão liberdade para definir a lei aplicável ao contrato, sendo tanto aquela da sede do franqueado ou a lei de sede/domicílio do franqueador.

Por fim, vale destacar que a Nova Lei de Franquias é mais clara quanto à obrigatoriedade de fornecimento da COF com antecedência mínima de 10 dias à assinatura do contrato de franquia – ou até mesmo do pagamento de quaisquer taxas pelo franqueado. Caso tal previsão não seja respeitada pelo franqueador, o franqueado poderá futuramente arguir a anulabilidade ou nulidade do contrato de franquia, além de requerer a restituição dos valores pagos, acrescidos de correção monetária.

Considerando as alterações da Nova Lei de Franquias, é de suma importância que empresas de franchising adaptem suas COFs e Contratos de franquia aos novos dispositivos legais vigentes até o final de março.

A equipe de Direito Societário, Contratos e Propriedade Intelectual do Casillo Advogados está à disposição para maiores orientações sobre o tema.

[1] Lei nº 8.955, de 15 de dezembro de 1994, conforme alterada.