Boletim Informativo nº 847 – 26/01 a 1º/02/18

Regulamentação de bloqueio de bens pela Fazenda Nacional deve sair este mês
Aguarda-se, ainda para fevereiro, a regulamentação pela Fazenda Nacional sobre a previsão instituída pela Lei 13.606/18 de bloqueio de bens de devedores sem autorização judicial. Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) o procedimento será utilizado apenas para aqueles devedores inscritos em dívida ativa após a publicação da regulamentação da medida.
Porém, enquanto a norma não é publicada, contribuintes questionam a medida na Justiça. De acordo com o dispositivo, após a notificação sobre a inscrição do débito em dívida ativa, o devedor terá até cinco dias para pagar o valor devido sob o risco de a Fazenda averbar a Certidão de Dívida Ativa (CDA) nos órgãos de registro de bens e direitos sujeitos a arresto e penhora, tornando seus bens indisponíveis.
No Supremo Tribunal Federal (STF) duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins), a 5.881 e a 5.886, já foram propostas contra a medida, com o argumento de que esse bloqueio desrespeita algumas previsões constitucionais, como o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, o direito de propriedade e a livre iniciativa e isonomia. Ainda não há previsão de quando as ações serão julgadas pelo Supremo, mas o relator de ambas é o ministro Marco Aurélio Mello.
Nesse ínterim, a Justiça comum já vem proferindo liminares sobre o assunto. Uma indústria paulista obteve uma medida favorável e teve outra negada, ambos os pedidos foram preventivos, para evitar bloqueios futuros. Noutro caso, a 2ª Vara Federal Cível de Vitória (ES) negou liminar para a Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) e para o Centro da Indústria do Espírito Santo (Cindes), que pretendiam evitar o bloqueio de bens de seus associados. A decisão considera a previsão em lei de atos complementares para regulamentar a aplicação do disposto no artigo 20-B.
Em uma das ações, favorável ao contribuinte, o juiz Paulo Cezar Duran, da 21ª Vara Cível Federal de São Paulo, deferiu o pedido de liminar por entender que a penhora só poderia ser determinada pelo Poder Judiciário e afirma que o legislador afrontou os princípios constitucionais da separação dos poderes e de garantia de que as atribuições de um órgão não serão delegadas a outro. “Ademais, o Código Tributário Nacional [CTN], ao tratar sobre a penhora de bens de devedor tributário, estabeleceu regras claras e determinadas ao Judiciário”, acrescenta.

STF mantém benefício do Reintegra para contribuintes no ano de 2015
O Supremo Tribunal Federal (STF) tem proferido decisões favoráveis aos contribuintes contra a redução, em 2015, de benefício oferecido pelo Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra). O Decreto 8.415/15, de fevereiro de 2015, diminuiu o benefício fiscal concedido até então de 3% para 1% sobre a receita de exportação, a partir de 1º de março daquele ano. Empresas questionam o fato de o decreto não ter respeitado prazos constitucionais para promover as alterações.
No Supremo, alguns contribuintes têm conseguido manter a alíquota de 3% sobre todo o ano de 2015 e outros têm obtido decisões que mantêm os 3% em março, abril e maio de 2015.
O Reintegra foi instituído em 2011 pela Lei 12.546/11, com o objetivo de ressarcir custos tributários das exportadoras. Teria duração até 31 de dezembro de 2012, com o benefício de 3% sobre a receita de exportação de bens industrializados, créditos estes que poderiam ser utilizados para pagamento de débitos tributários ou o haveria ressarcimento em espécie.
Em 2014, a Portaria 428/14 do Ministério da Fazenda estendeu o benefício por período indeterminado. Em fevereiro do ano seguinte, porém, o Decreto 8.415/15 alterou a regulamentação do programa e os percentuais passaram a corresponder a 1% entre de 1º de março de 2015 e 31 de dezembro de 2016; 2% de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2017; e 3% de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2018.
Os contribuintes alegam que o decreto, ao diminuir o benefício fiscal, não respeitou o princípio constitucional da anterioridade, que veda o aumento de tributo no mesmo exercício da lei que o instituiu. Defendem que nem mesmo o princípio da anterioridade nonagesimal, previsto no artigo 150 da Constituição, foi respeitado.
Com esses argumentos, a Dana Indústrias e Dana Spicer Indústria e Comércio de Autopeças conseguiu autorização judicial para usar o percentual de 3% em todo o ano de 2015 (RE 964.850). Segundo o o ministro Marco Aurélio “os atos infralegais implicaram aumento indireto do imposto, porquanto revelaram redução de benefício fiscal vigente, devendo ser observado, também nesses casos, o princípio da anterioridade”.
Outra decisão recente do ministro Ricardo Lewandowski, em favor da empresa Cecrisa Revestimentos Cerâmicos, assegurou o benefício de 3% sobre a receita de exportação para os meses de março a maio de 2015 (RE 1.081.193). De acordo com a decisão, é jurisprudência do Supremo considerar que o princípio da anterioridade é aplicável à revogação ou redução de benefício fiscal “tendo em vista que elas geram a elevação da carga tributária de maneira indireta”. O magistrado citou ainda outros precedentes nesse sentido.

União deverá avaliar imóveis oferecidos para quitar débitos
Uma liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) poderá servir de precedente para que contribuintes com débitos inscritos em dívida ativa ofereçam à União imóveis para quitar dívidas. A possibilidade, conhecida como dação em pagamento de bens imóveis, está prevista no Código Tributário Nacional (CTN) e em outras legislações esparsas, mas nunca foi aplicada. Para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) o mecanismo carece de regulamentação que, segundo o órgão, será publicada ainda este mês. A falta de regulamentação dos critérios e procedimentos para avaliar os imóveis é um dos principais argumentos da União para negar os pedidos administrativos formulados por contribuintes.
Na decisão, o magistrado federal Marcelo Albernaz determina que a Fazenda Nacional examine novamente o pedido administrativo de dação feito pela empresa, no prazo de 90 dias, e que se abstenha de negá-lo sob o pretexto de que falta regulamentação pelo Ministério da Fazenda ou sem um motivo objetivo e claro. Na decisão, porém, o magistrado não acatou o pedido da empresa para suspender a exigibilidade de crédito tributário por meio da dação. E citou o artigo 4º da Lei 13.259/16, segundo o qual a aceitação do imóvel ficará a critério do credor, como um impeditivo para aceitar a suspensão.
A Lei 13.313/16 alterou o artigo 4º da Lei 13.259/16, estabelecendo critérios e requisitos a serem observados pelos contribuintes interessados em extinguir o crédito tributário por meio da dação em pagamento de bens imóveis. Essa possibilidade só é permitida para extinção de créditos tributários inscritos em dívida ativa da União e a aceitação do imóvel ficará a cargo do credor. Quanto à avaliação será realizada pelo valor de mercado nos termos de ato do Ministério da Fazenda.
Em nota, a PGFN informa que está finalizando o texto de uma portaria para regulamentar a matéria e dianta que, em linhas gerais, a aceitação de bens imóveis será condicionada ao interesse por parte de algum órgão da União. Caso contrário, a dação não será aceita.

Mantida rescisão indireta de empregada que era submetida ao uso de banheiro de deficientes por sua orientação sexual
Uma ex-empregada pediu a rescisão indireta do contrato de trabalho por ser vítima de humilhações decorrentes da sua orientação sexual. De acordo com ela, a partir do procedimento de mudança de sexo passou a ser discriminada na empresa onde trabalhava.
Na defesa, a empresa sustentou que a empregada foi demitida por justa causa em decorrência de abandono de emprego. No entanto, a sentença de 1º grau esclareceu que as faltas a partir do dia em que a trabalhadora se afastou em definitivo para postular a rescisão indireta não podem ser levadas em conta para caracterizar o abandono de emprego. De acordo com o julgamento, a empresa não convocou a empregada para retornar ao trabalho. Além disso, conforme prevê a legislação trabalhista, o empregado pode se afastar “de seu labor para pleitear nesta Justiça Especializada os seus direitos rescisórios”.
Segundo a testemunha da empregada, superiores hierárquicos “costumavam chamar a autora na mesa para fazer piadinhas, indagando se a autora era homem ou mulher”. Ainda, de acordo com relatos, a supervisora determinou que a empregada fizesse uso do banheiro de deficientes. “Não deixavam que ela utilizasse o banheiro dos homens ou das mulheres”. Consta ainda nos autos que o sanitário que deveria ser utilizado pela empregada “não possuía chave, ficando o acesso livre”, tendo a empregada que solicitar a colegas que a acompanhassem ao banheiro para garantir que ninguém adentrasse.
Para a 10ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT2), o ato faltoso alegado pela empresa não ficou comprovado. Os magistrados apontaram que a empresa não tomou nenhuma providência, como a “emissão de telegramas ou outro meio de comunicação capaz de demonstrar que a empregada não respondeu aos chamados da empresa para reassumir suas funções”. Os magistrados esclareceram que, se o contato tivesse efetivamente sido feito pela empresa e o trabalhador tivesse deixado de atender à solicitação, não retornando ao trabalho, ou sequer justificando o motivo das reiteradas ausências, ficaria evidenciado o desinteresse do empregado na manutenção do posto de trabalho.
A decisão considera ainda, que a demanda denunciando a falta grave patronal e pretendendo a rescisão indireta do contrato de trabalho foi distribuída sete dias após o último dia trabalhado. Segundo o acórdão, “esse fato confirma que a autora não pretendeu abandonar o emprego, mas reivindicar os direitos entendidos por devidos, tendo em vista as alegações que embasaram a justa causa patronal”.
Assim, o acórdão de relatoria da desembargadora Sônia Gindro, confirmou a decisão proferida em 1º grau e concluiu que “restou cabalmente comprovado que a autora era vítima de humilhações claramente decorrentes da sua opção sexual, o que enseja a rescisão indireta do contrato de trabalho”. Na decisão ressaltou ainda, que “a falta empresária se protraiu no tempo, pois as humilhações só cessaram com a rescisão do pacto contratual. Portanto, não se esvaiu o requisito da imediatidade”. Em decorrência, reconheceu a existência de falta grave do empregador a autorizar a rescisão do contrato de trabalho. Ainda cabe recurso da decisão. (Processo: 00033651520135020038)

Plano de Ação do Instituto Nacional de Propriedade Industrial para 2018
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) divulgou na sexta-feira, dia 26 de janeiro, o Plano de Ação 2018, documento que define as diretrizes, metas e iniciativas que irão nortear a atuação do Instituto ao longo do ano, alinhando-se com as orientações estratégicas do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
Para 2018, foram definidas três entregas prioritárias (redução do acúmulo de pedidos de patentes, preparação do INPI para o Protocolo de Madri e solução de questões imobiliárias), para isso foram estabelecidas 10 metas e 30 iniciativas, organizadas em quatro eixos: eficiência operacional, pessoal, de cooperação e de infraestrutura e gestão.
O destaque é a preparação para o Protocolo de Madri, tratado administrado pela Secretaria Internacional da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), datado de 1981, que tem como objetivos: facilitar o acesso à obtenção de proteção às marcas e em um segundo momento fazer com que um registro internacional equivalha a vários registros nacionais, estando protegidas em vários países, tornando mais simples a administração subsequente deste tipo de proteção, bastando o depósito do pedido diretamente junto ao seu próprio instituto nacional ou regional de marcas.

Acordo entre Brasil e Espanha relativo à Troca e Proteção Mútua de Informações Classificadas
Publicado nesta quinta-feira, 1º de fevereiro, o Decreto 9.273/18, promulga o Acordo entre a República Federativa do Brasil e o Reino da Espanha Relativo à Troca e Proteção Mútua de Informações Classificadas, firmado em Brasília, em 15 de abril de 2015.
O acordo estabelece regras e procedimentos para a proteção de Informações classificadas trocadas no âmbito de instrumentos de cooperação ou contratos celebrados entre os países, suas pessoas físicas, órgãos e entidades credenciadas.
O texto ressalva que nenhuma das partes poderá invocar o documento para obter informação sigilosa envolvendo um terceiro país e prevê a equivalência dos graus de sigilo tradicionalmente estabelecidos por cada uma das partes, de acordo com sua legislação específica.
O objeto principal da norma é a proteção de informações sigilosas, tendo em conta que subsiste uma estrutura próspera de vazamentos e de espionagem que pode acarretar sérios transtornos às autoridades governamentais, risco à segurança das nações, bem como danosos prejuízos às suas economias, notadamente no sensível setor de alta tecnologia.
O Brasil firmou acordos semelhantes com Portugal (2005), Rússia (2008) e Suécia (2014).