Boletim Informativo nº 852– 02 a 08/03/18

Prorrogado o prazo para quitar dívidas com o estado do Paraná usando precatórios
De acordo com o Decreto estadual 8.889/2018, publicado em 02 de março, fica prorrogado o prazo para os interessados em quitar dívidas ativas com o Executivo estadual usando precatórios. Agora a adesão ao programa de compensação pode ser feita até o dia 23 de março, no portal de serviços da Secretaria de Estado da Fazenda SEFA – Receita/PR, no site www.fazenda.pr.gov.br. Nesta etapa, a medida vale para débitos tributários e não tributários inscritos até 25 de março de 2015.
Como regra, 10% do valor da dívida deve ser quitado em dinheiro até 29 de março. O restante pode ser pago usando precatórios próprios ou de terceiros, que devem ser indicados à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) até o dia 30 de abril ou parcelado em até 10 vezes, com o pagamento até o último dia útil de cada mês, a partir do mês de abril de 2018. Todos os pedidos para o abatimento – e a documentação apresentada – serão analisados pela Secretaria da Fazenda e pela PGE.

Manual detalha troca de dados bancários entre Fiscos de vários países
A Receita Federal do Brasil liberou um manual aos bancos com mais detalhes sobre a troca automática de informações financeiras com o Fisco de mais de cem países, onde esclarece sobre a implementação do Common Reporting Standard (CRS), que é o padrão a ser seguido no preenchimento da e-Financeira para o intercâmbio de dados com os países signatários da Convenção Multilateral sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Tributária.
Em 2015 o Decreto 8.506 promulgou o “Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América para Melhoria da Observância Tributária Internacional e Implementação do FATCA (Foreign Account Tax Compliance Act)”, que, em breve resumo, permite a autoridades fiscais do Brasil e dos Estados Unidos trocarem informações sobre investimentos e movimentações financeiras de seus cidadãos e residentes.
No mesmo sentido, em 2016, o Brasil depositou o instrumento de ratificação da Convenção Multilateral de Assistência Administrativa Mútua em Assuntos Fiscais, firmada no âmbito da OCDE e aprovada pelo Decreto Legislativo 105/2016. Na prática, esse acordo multilateral lança as bases para que o Governo Brasileiro troque informações financeiras e fiscais com mais de 90 países, o que ocorrerá de forma automática, por meio do chamado CRS, a partir do segundo semestre de 2018.

Turmas do TST aplicam o IPCA-E para a correção de condenações
Pelo menos seis das oito turmas do Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiram pela aplicação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial – IPCA-E, para a correção monetária de condenações trabalhistas, contrariando determinação da Reforma  instituída pela Lei 13.467/2017, que adotou a Taxa Referencial (TR) para atualização de débitos judiciais. As recentes decisões se baseiam em precedente do TST, anterior às mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre precatórios.
Em decisão proferida em dezembro, a 6ª Turma considera inviável a aplicação da reforma. A relatora, desembargadora Convocada Cilene Ferreira Amaro Santos, afirma em seu voto que o STF já declarou que a TR não reflete a desvalorização da moeda brasileira, não podendo ser utilizada. (ARR-24032-41.2015.5. 24.0005)
Historicamente, a diferença entre TR e IPCA-E é significativa. Em 2017, a TR foi zero em muitos meses. No acumulado do ano, chegou a 0,59%, enquanto o IPCA-E foi de 2,94%. Em 2016, a TR acumulou 2%, enquanto o IPCA-E ficou em 6,58%. Na época de alta inflação, já foi mais de dez pontos percentuais.
A decisão do Supremo citada pela 6ª Turma é de setembro de 2017 e é relativa à correção de dívidas da Fazenda Pública no período anterior à expedição de precatório. Na ocasião, os ministros afastaram a aplicação da TR – da mesma forma que fizeram ao julgar, anteriormente, o índice de correção de precatórios.
Há decisões de outras turmas no mesmo sentido, mas que não citam expressamente a alteração da Reforma Trabalhista, apenas as decisões do Supremo sobre precatórios. Em uma delas, de dezembro, a 5ª Turma do TST considera que a aplicação do IPCA-E permite “justa e adequada” atualização de débitos trabalhistas. No voto, o relator, ministro Douglas Alencar Rodrigues, afirma que a TR não se presta à recomposição do poder aquisitivo da moeda. Por isso, acrescenta, a sua adoção para a correção dos débitos trabalhistas abala o direito de propriedade.(Processo: 25823-78.2015.5.24.009)
Também aplicaram o IPCA-E, como índice de correção, a 1ª Turma (Processo: 351-51.2014.5.09.0892); a 2ª, a 4ª e a 8ª Turmas (AIRR-24197-72.2016.5.24.0096, ARR-24874-58.2016.5.24.0046 e AIRR-24453-77.2014.5.24.0001).

Empregador deve declarar na Rais as novas modalidades previstas na Reforma Trabalhista
A Relação Anual de Informações Sociais (Rais) ano-base 2017, pode ser entregue até 23 de março e traz novidades. Após a Reforma Trabalhista, foram incluídas novas modalidades de contratação na declaração, são elas: Trabalho Parcial, Intermitente e Teletrabalho. Outra alteração diz respeito ao desligamento por acordo entre empregado e empregador, previsto no artigo 484-A da Reforma, para esta informação foi incluído o código 90 na Rais.
No campo da modalidade Trabalho Intermitente, por exemplo, a forma de pagamento informada deverá ser por hora. Neste caso, o preenchimento no campo “Horas Contratuais” permitirá apenas o valor igual a 1 (um), referente à hora trabalhada. Enquanto nos campos remunerações mensais deverão ser informados os valores pagos nas convocações.
Já para caracterizar a categoria Teletrabalho, deverá constar a informação de que a prestação de serviços deve ser feita fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo. Para o preenchimento do campo Trabalho por Tempo Parcial, as horas semanais não poderão ultrapassar 30 horas.
No caso dos trabalhadores que optaram pela mudança no tipo de vínculo trabalhista, desde 11 de novembro de 2017, o estabelecimento deverá indicar a opção “sim” na declaração da Rais. O empregador não poderá declarar o trabalhador aprendiz nas opções Trabalho por Tempo Parcial e Trabalho Intermitente.
A declaração da Rais deverá ser feita pela Internet, utilizando o programa GDRAIS 2017. Todas as orientações sobre como fazer a declaração estarão no Manual da Rais 2017. Quem não entregar a declaração da Rais dentro do prazo estabelecido ou fornecer informações incorretas pagará multa prevista na Lei 7.998/1990, que varia conforme o tempo de atraso e o número de funcionários e vai de R$ 425,64 a R$ 42.641,00.

Ministério do Trabalho orienta fiscais a não aplicar Reforma ao passado
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) emitiu a Nota Técnica SIT 303/2017, determinando que os auditores deverão aplicar a Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) somente ao presente. Os fatos ocorridos antes da lei, em vigor desde 11 de novembro do ano passado, serão enquadrados nas regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) anterior, ainda que a fiscalização seja promovida no presente.
Na nota técnica, o Ministério do Trabalho informa que o princípio da retroatividade da norma mais benéfica não se aplica à administração pública, que deve seguir a lei de forma restrita. O órgão também se baseia em outro princípio, o do tempo que rege o ato, previsto no artigo 6º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei 4.657/1942). Segundo o dispositivo, os atos jurídicos se regem pela lei da época em que os fatos ocorreram.
Assim, conforme a nota, os auditores fiscais do trabalho devem aplicar a lei vigente ao tempo que gerou a obrigação descumprida, ainda que a inspeção seja em momento posterior. “Condutas típicas e ilícitas que deixaram de ser infração permanecem puníveis se as violações correram antes da reforma”, diz a nota. Outro ponto importante da nota é o que diz que os auditores não poderão declarar inconstitucionalidade de lei, pois esta não seria uma função de órgãos do Poder Executivo, independentemente das legítimas discussões sobre pontos da reforma.
Embora os auditores devam aplicar as regras para todos os tipos de contratos, eles devem obedecer ao tempo processual do fato gerador de uma determinada autuação. Uma punição por horas extras não remuneradas, por exemplo, só terá efeito segundo as mudanças promovidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), se as horas em questão foram trabalhadas após 11 de novembro de 2017, depois do início da vigência da lei. O que não importa, para fins de fiscalização, é a data em que foi firmado o contrato de trabalho, de modo que todos serão interpretados pelos auditores à luz da reforma.

Juízes multam trabalhadores e testemunhas por mentirem
Mentir na Justiça do Trabalho passou a custar caro. Trabalhadores, testemunhas e até mesmo advogados têm sido condenados pelo Judiciário a pagar multas por práticas consideradas desleais nos processos. As punições têm sido aplicadas com maior vigor desde o início da vigência da Reforma Trabalhista, em novembro, que autorizou de forma explícita essas penalidades.
No mês passado, o juiz da 33ª Vara do Rio de Janeiro, Delano de Barros Guaicurus, condenou um trabalhador em 15% do valor da causa, antes mesmo do julgamento da ação, por litigância de má-fé. No mesmo dia, a juíza da 28ª Vara do Rio, Claudia Marcia de Carvalho Soares, deparou-se com troca de mensagens via celular, onde o autor do processo combina com um amigo o pagamento de R$ 70 pelo comparecimento como testemunha à sua audiência, assim como a promessa de fazer o mesmo por ele em ação movida contra a mesma empresa. A magistrada multou o reclamante por litigância de má-fé e declarou na ata da audiência sua perplexidade e indignação com o fato. “A sociedade precisa perceber que a Justiça do Trabalho não é palco para teatro e mentiras. É uma Justiça social que deve acima de tudo buscar a verdade dos fatos, independentemente de quem a verdade vai proteger”, diz.
Já uma testemunha que mentiu em seu depoimento foi multada em R$ 12.500 por litigância de má-fé pelo juiz do trabalho substituto Dener Pires de Oliveira, da Vara de Caieiras (SP). O valor de 5% do  valor da causa será revertido para a trabalhadora, potencial vítima do depoimento falso. No caso, a testemunha da empresa afirmou que não teve conhecimento de eleição para a Cipa, da qual a funcionária participou e foi eleita, obtendo garantia provisória de emprego. A testemunha, porém, havia assinado a ata de votantes da assembleia da Cipa.
Antes da inclusão pela Reforma Trabalhista dos artigos 793-A, 793-B e 793-C à Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, os magistrados trabalhistas que chegavam a aplicar penalidades dessa natureza se baseavam em previsão similar do Código de Processo Civil (CPC).

Justiça repreende consumidor por deturpar cotidiano em busca de retorno econômico
A prática de deturpar acontecimentos cotidianos com a finalidade de possibilitar reparação econômica mais uma vez foi identificada em apelação julgada pela 6ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
No recurso, uma mulher buscava ser indenizada por supostos danos morais após ter sua bicicleta furtada do estacionamento de um supermercado. O estabelecimento foi condenado tão somente ao pagamento de R$ 389, correspondente ao valor de mercado da bicicleta subtraída.
Para o desembargador Monteiro Rocha, relator da matéria, restou caracterizada a omissão do supermercado no dever de vigilância que ocasionou o furto da bicicleta da cliente. Contudo, completou, os aborrecimentos sofridos pela consumidora não lhe causaram danos extrapatrimoniais, mas apenas um mero dissabor característico do delito patrimonial. “Incomprovado que o furto da bicicleta tenha chegado à esfera anímica da requerente, a empresa requerida não deve ser condenada por danos morais”, concluiu, em decisão unânime daquele órgão julgador. (Apelação Cível 0003881-73.2013.8.24.0005)