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Boletim Informativo nº 922 – 02/08 a 08/08/19

Tribunal Superior Do Trabalho reforma decisão de Tribunal Regional para validar contrato de trabalho intermitente
Dr. Fabiano Murilo Costa Garcia, advogado do Setor de Direito Trabalhista do Escritório Casillo Advogados
O contrato de trabalho intermitente foi introduzido em nossa legislação junto a reforma trabalhista (lei 13.467/2017) e está previsto no §3º, do artigo 443 da CLT, como sendo a prestação de serviços, com subordinação, de forma não contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria.
Mesmo já passados quase dois anos da vigência da reforma trabalhista, ainda enfrentamos dúvidas e insegurança quanto à aplicabilidade e legalidade de alguns dispositivos, alguns deles, dentre os quais, os que tratam do contrato de trabalho intermitente, objetos de ações diretas de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal.
Em importante decisão proferida na data de 07/08/2019, o Tribunal Superior do Trabalho reformou o entendimento do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, em favor da empresa Magazine Luíza, ao validar a modalidade de contratação do trabalho intermitente.
O acórdão proferido no processo nº 10454.06.2018.5.03.00-97, de relatoria do Ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, aponta “patente desrespeito ao princípio da legalidade”, em julgamento realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais.
O entendimento aplicado pelo Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, no sentido de permitir que o contrato de trabalho intermitente seja aplicado em pequenas empresas e sem a permissão para suprir atividade permanente, contínua ou regular, foi reformado sob o fundamento de que não cabe ao Poder Judiciário impor limitações ou exceções à legislação.
A legislação trabalhista define e traça os parâmetros do contrato de trabalho intermitente como sendo aquele descontínuo e que pode ser firmado para qualquer atividade, exceto aeronauta, ou seja, a única exceção já está prevista no próprio dispositivo legal.
Referida decisão representa um importante direcionamento por parte de nossa Suprema Corte Trabalhista, não apenas no sentido de chancelar a legalidade do contrato de trabalho intermitente, mas também como demonstração de que a reforma trabalhista é constitucional e deve ser respeitada pelos magistrados e operadores do direito.
Ainda que os Tribunais Regionais não precisem, necessariamente, adotar tal entendimento, considerando a independência que lhes é conferida por lei, certamente esta decisão por parte do Tribunal Superior do Trabalho norteará o entendimento das demais instâncias do Poder Judiciário, além de garantir maior segurança jurídica às empresas que pretendem utilizar o contrato de trabalho intermitente.

Boletim sobre a atualização das Normas Regulamentadoras – NR
Dr. Caio Cesar de Oliveira, advogado do Setor de Direito Trabalhista do Escritório Casillo Advogados
Em 30/07/2019 o Governo Federal deu início a atualização das Normas Regulamentadoras de saúde e segurança do trabalho. Nesta primeira alteração, três NRs passaram por mudanças.
A NR-1 aborda a modernização dos regramentos relacionados a capacitação dos empregados, além do tratamento diferenciado para o MEI, ME e EPP, atingindo o principal conjunto de empresa do Brasil.
A NR-2, que tratava da Inspeção Prévia foi revogada, o que diminuirá a burocracia e facilitará os trabalhos iniciais dos empresários, pois assim os novos estabelecimentos não precisarão mais solicitar ao Ministério do Trabalho que aprove, previamente, as suas instalações.
A NR-12, por sua vez, teve sua redação modernizada, diferenciando máquinas novas e usadas para requisitos técnicos, respeitando as características construtivas dos equipamentos. Com esta flexibilização a NR-12 pretende assegurar o alinhamento do País com as normas técnicas nacionais e internacionais.
Com a nova redação da NR-1, há o aproveitamento de treinamentos entre organizações. Anteriormente, a capacitação de um trabalhador só tinha validade dentro daquela empresa em que ele foi capacitado. Agora, essa capacitação passa a ser aproveitada quando o trabalhador ingressa em outra empresa, seguindo as definições da NR-1, sendo necessária a emissão de um certificado pela empresa atual, mencionando a capacitação na empresa anterior, além de realizar capacitação complementar, quando necessário.
Ainda sobre capacitação, a NR-1 apresenta a possibilidade dos treinamentos ministrados na modalidade de ensino a distância ou semipresencial. A questão dos treinamentos na modalidade EAD nunca foi tratada de forma detalhada em nenhuma NR, mas agora são considerados válidos desde que cumpridos os requisitos previstos no anexo II da nova NR-1.
O tratamento diferenciado para os pequenos empregadores, conforme disposto na NR-1, faz com que as empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões fiquem dispensadas da elaboração e/ou renovação (anual) do PPRA e PCMSO, desde que estas empresas não possuam riscos físicos, químicos e/ou biológicos.
Importante ressaltar que os empregados destas empresas continuarão a fazer os exames médicos e serão emitidos os Atestados de Saúde Ocupacional – ASO, bem como o empregador é o responsável pela prestação das informações previstas na NR-1.
Fiquem atentos para os próximos artigos, onde trataremos das demais alterações nas NRs.

Projeto que impede exclusão de empresa adimplente do Refis é aprovado
O plenário do Senado Federal aprovou na última quarta-feira (7) o projeto que proíbe a exclusão de empresas “adimplentes e de boa-fé” do Programa de Recuperação Fiscal (Refis). O texto garante a adesão ao refinanciamento mesmo que as parcelas pagas pelas pessoas jurídicas não sejam consideradas suficientes para amortizar a dívida com a União.
O Refis foi instituído no ano 2000 para permitir a regularização de débitos com a Receita Federal, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e o Instituto Nacional do Seguro Social. De acordo com o programa, as parcelas a serem pagas são calculadas com base em percentuais de receita bruta mensal das empresas, sem a fixação de prazo máximo de quitação da dívida. No entanto, a Receita passou a retirar contribuintes do Refis por entender que as parcelas são insuficientes para a amortização da dívida.
Fonte: Agência Brasil

Receita Federal amplia acesso aos regimes aduaneiros especiais Recof e Recof-Sped
A Receita Federal simplificou a adesão aos regimes especiais de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) e o Entreposto Industrial sob Controle da Escrituração Fiscal Digital (Recof-Sped). A Instrução Normativa RFB nº 1.904, publicada no Diário Oficial da União, extinguiu a necessidade das empresas interessadas em aderir ao regime de terem um patrimônio líquido de pelo menos R$ 10 milhões, bem como reduziu significativamente o valor mínimo de exportações que cada empresa deve atingir anualmente para obter os benefícios do Recof e Recof-Sped.
Além de extinguir a exigência de um patrimônio líquido mínimo de R$ 10 milhões de reais, também foi reduzido o valor mínimo de exportações necessário para que uma empresa pudesse permanecer habilitada nos regimes. O montante anual de produtos industrializados a serem exportados utilizando os benefícios do Recof foi reduzido de US$ 5 milhões para US$ 500 mil, o que permite a adesão de uma quantidade muito maior de empresas ao Recof e Recof-Sped.
Fonte: Receita Federal

Publicações obrigatórias de sociedades anônimas serão feitas pela internet
Foi publicada, na terça-feira (6/8), a Medida Provisória 892, que altera a Lei das Sociedades Anônimas. Agora, as empresas poderão publicar seus balanços no site da Comissão de Valores Mobiliários e em seus próprios endereços na internet, sem precisar publicá-los em jornais de grande circulação, como antes era obrigatório.
A MP 892 estabelece, também, a competência da CVM para regulamentar a aplicação das novas regras e disciplinar o arquivamento de atos e publicações de sociedades anônimas de capital aberto nas Juntas Comerciais. Para as companhias de capital fechado, a disciplina dependerá de ato do Ministro da Economia.
A MP 892 revoga ainda as disposições anteriormente trazidas pela Lei nº 13.818/2019, que limitava os documentos de publicação obrigatório segundo a Lei das S.A. apenas a jornais de grande circulação e em versão resumida, a partir de 2.022. Agora, a regra geral passa a ser a obrigatoriedade de tais publicações apenas pela internet.
Fonte: Conjur