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BOLETIM INFORMATIVO Nº 957 – 10/04 A 17/04/2020

Competência legislativa dos entes federados no combate à Covid-19: qual norma deve prevalecer?
Por Drs. Jefferson Comelli e Mozart Iuri Meira Cótica são advogados do Setor de Direito Administrativo do Escritório Casillo Advogados.

Desde o mês de fevereiro, muitas têm sido as providências adotadas para a prevenção e o combate à pandemia da COVID-19, para as quais houve um grande aumento na produção legislativa no país, nas três esferas do governo.

O primeiro diploma editado a esse respeito foi a Lei Federal nº 13.979, de 06 de fevereiro de 2020, a qual foi sancionada antes mesmo da primeira confirmação de contágio no Brasil, ocorrida em 26/02/20.

Considerando que a ela foi conferido status de lei nacional, a partir daí muitos Estados e Municípios passaram a publicar normas locais para proteger a sua população, com disposições mais ou menos restritivas de liberdades econômicas e individuais, conforme a realidade de cada um.

Contudo, essa proliferação de atos criou cenários totalmente díspares no país. Enquanto em alguns Estados restringiu-se até mesmo o transporte público, como em Santa Catarina, em outros, como Pernambuco, até aulas eram permitidas. O mesmo aconteceu entre decretos Estaduais e Municipais. No Estado de Mato Grosso, por exemplo, o governador autorizou a abertura do comércio, enquanto o prefeito da capital determinou o seu fechamento.

Nesse contexto de crise, essa situação gera bastante insegurança jurídica, pois gestores, empresários e cidadãos não sabem qual decisão seguir. Isolamento horizontal ou vertical? Abertura ou fechamento da empresa? Nem mesmo se uma norma tem mais ou menos força que outra.

Visando conter essa indefinição, no dia 20/03/20 o Governo Federal editou a Medida Provisória nº 926/2020 para alterar a lei nº 13.979/20 e avocar para si a atribuição de autorizar a adoção de algumas das medidas previstas em seu artigo 3º, tais como isolamento, quarentena, exumação, necropsia, cremação e manejo de cadáver, restrição temporária de entrada e saída do país e de locomoção interestadual e intermunicipal pelas vias terrestre, aquática e aérea, bem como a importação de produtos sujeitos à vigilância sanitária sem registro na Anvisa, as quais somente poderão ser adotadas pelos gestores locais de saúde, se autorizadas pelo Ministério da Saúde.

Mesma data em que foi editado o Decreto Federal nº 10.282/20, para definir os serviços públicos e as atividades essenciais, aplicável às pessoas jurídicas de direito público interno (federal, estadual, distrital e municipal), aos entes privados e às pessoas naturais.

Isso reacendeu o debate acerca da divisão de competência legislativa entre os entes federados (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) para editar os atos normativos destinados à proteção da saúde, o que não demorou a chegar ao Poder Judiciário.

Porém, ao deferir parcialmente o pedido liminar formulado na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 6.341, o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, asseverou que a disciplina decorrente da Medida Provisória nº 926/2020, no que imprimiu nova redação ao artigo 3º da Lei 13.979/20, não afastou a competência nem a tomada de providências normativas e administrativas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios. Isto é, a divisão de atribuições previstas nessa MP não contrariou a Constituição Federal, pois suas disposições não afastaram os atos a serem praticados pelos demais entes federativos, no âmbito da sua competência, para legislar sobre saúde pública, mas apenas buscaram uma coordenação nacional de providências e de tratamento jurídico às relações sociais.

Tal posição foi ratificada pelo ministro na apreciação da tutela provisória requerida na ADI nº 6.343, onde aduziu que as alterações feitas na lei nº 13.979/20 devem ser mantidas em vigor até o crivo do Congresso Nacional, sob pena de potencializar-se visões político-partidárias em detrimento do interesse público.

Essa mesma linha de raciocínio foi seguida pelo ministro Alexandre de Moraes ao deferir parcialmente a medida cautelar requerida pela Ordem dos Advogados do Brasil na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 672, para reconhecer e assegurar o exercício da competência concorrente dos Governos Estaduais e Distrital e suplementar dos Governos Municipais, cada qual no exercício de suas atribuições e no âmbito de seus respectivos territórios, para a adoção ou manutenção de medidas restritivas legalmente permitidas durante a pandemia, tais como, a imposição de distanciamento/isolamento social, quarentena, suspensão de atividades de ensino, restrições de comércio, atividades culturais e à circulação de pessoas, entre outras, independentemente da superveniência de ato federal em sentido contrário, sem prejuízo da competência geral da União Federal para estabelecer medidas restritivas em todo o território nacional, caso entenda necessário.

Apesar disso, segundo o ministro Dias Toffoli, esses atos locais devem ser praticados pautados em critérios técnicos e não meramente discricionários. O que serviu de fundamento para negar seguimento à Suspensão de Segurança nº 5.362, a qual foi proposta pelo Município de Teresina/PI, para combater uma decisão proferida pelo Tribunal de Justiça local, que permitiu a continuidade de funcionamento de uma cervejaria, desde que adotadas e cumpridas as medidas estabelecidas no decreto estadual regulamentador.

Ainda que provisórias, essas decisões da Suprema Corte devem nortear as inúmeras outras ações judiciais que foram e continuam sendo ajuizadas para questionar a legitimidade das normas editadas em todos os âmbitos da Federação para combater o novo coronavírus.

Sendo assim, por ora, o Supremo Tribunal Federal manteve a eficácia das disposições da Lei Federal nº 13.979/20, com as alterações promovidas pelas Medidas Provisórias nº 926 e 927/2020, que atribuíram competência à União Federal para deliberar sobre as políticas a serem tomadas no combate à pandemia da COVID-19, ao mesmo tempo em que reconheceu a atuação concorrente dos Estados e do Distrito Federal e suplementar dos Municípios para legislar a esse respeito.

Desta forma, apesar de permanecer a confusão entre as diversas legislações, todas devem ser observadas, principalmente aquelas de caráter mais restritivo. Por outro lado, caso a norma local traga contornos extremamente rígidos e desproporcionais, é possível questionar seu conteúdo judicialmente, para evitar prejuízos ainda maiores do que a medida tenta conter, o que deve ser avaliado em cada caso concreto.

 

Locação de imóveis e a pandemia da Covid-19: as “soluções” propostas pelo Congresso Nacional
Por Dr. Gustavo Henrique Ellerbrock, advogado do setor de Direito Imobiliário do Casillo Advogados.

A pandemia da COVID-19 vem demandando posturas decisivas do Poder Público e a aplicação de medidas de quarentena e isolamento social, culminando, inclusive, na paralisação parcial ou total de diversas atividades econômicas.

Muito embora o contexto tenha afetado negativamente todos os setores da economia, é fato que um ramo em especial vem sentindo com muita força o abalo gerado pelo Coronavírus: o mercado de locações de imóveis urbanos.

Em uma tentativa de contrapor esse e outros problemas causados pela pandemia, um farto número de projetos de lei tem aflorado em ambas as Casas do Congresso Nacional, todos com o objetivo declarado de restabelecer o equilíbrio contratual e preservar as relações locatícias, por meio da imposição de normas de caráter protetivo, favoráveis à parte que, em tese, se encontraria em uma posição de vulnerabilidade no microssistema dos contratos de locação (o locatário).

Na Câmara dos Deputados, por exemplo, até o final do mês de março já haviam sido apresentados quatro projetos de lei sobre o tema, todos estabelecendo em algum alcance a redução ou suspensão temporária da cobrança de alugueres, e a impossibilidade de despejar o locatário inadimplente enquanto perdurar o estado de emergência causado pela pandemia. São eles: PL 827/2020; PL 936/2020; PL 1090/2020; PL 1112/2020.

A tramitação de todos os projetos supracitados remanesce paralisada desde a data de seu respectivo protocolo, aguardando despacho da Presidência da Câmara dos Deputados.

No Senado Federal os parlamentares também não ficaram inertes, tendo proposto nada menos que cinco projetos de lei no mesmo período, quais sejam: PLS 872/2020; PLS 884/2020; PLS 1062/2020; PLS 1179/2020; PLS 1204/2020 (este último, já retirado definitivamente de pauta pelo autor, sob o pretexto de reanálise do mérito).

De modo geral, os projetos dos senadores revisitam as mesmas ideias e avançam um pouco mais, como o PLS 884/2020, do Senador Weverton, que propõe a suspensão da cobrança de alugueres pelo prazo de noventa dias – beneficiando igualmente pessoas físicas e jurídicas –, e ainda atribui ao Governo Federal o dever de assumir integralmente a responsabilidade pelo pagamento de tais alugueres, caso o proprietário do imóvel locado possua patrimônio declarado inferior a R$ 2.500.000,00.

O destaque, entretanto, vai para o PLS 1179/2020, proposto pelo Senador Antonio Anastasia, para dispor sobre o “Regime Jurídico Emergencial e Transitório das relações jurídicas de Direito Privado (RJET) no período da pandemia do Coronavírus (Covid-19)”.

Trata-se de um projeto amplo – redigido com a colaboração de diversos juristas de grande renome nacional, com destaque para o Presidente do STF, Ministro Dias Toffoli –, que aborda diversas áreas do direito privado afetadas pelo estado de calamidade e dedica atenção especial à locação de imóveis urbanos.

Após a apresentação de 88 emendas pelos demais parlamentares, no dia 03/04/2020 a proposta foi votada remotamente pelo plenário, em regime de urgência, sendo aprovada em conformidade com os termos do projeto substitutivo apresentado pela relatora Senadora Simone Tebet.

No texto final ficou estabelecido que, nas ações de despejo ajuizadas a partir de 20/03/2020, objetivando a recuperação de imóveis comerciais ou residenciais, restará vedada até o dia 31/10/2020 a concessão de ordens de desocupação em caráter liminar, (com exceção das situações previstas nos incisos I, II, III e IV da Lei do Inquilinato, que tratam de hipóteses de retomada do imóvel em locações residenciais, ajustadas verbalmente ou por escrito, e com prazo inferior a trinta meses).

Originalmente, o artigo 10 do projeto também oferecia aos locatários de imóveis residenciais que sofrerem alteração econômico-financeira decorrente de demissão, redução de carga horária ou diminuição de remuneração, a prerrogativa de suspender total ou parcialmente o pagamento dos alugueres que vencerem entre os dias 20/03/2020 e 30/10/2020 (o locatário que optasse pela suspensão deveria comunicar previamente o locador e, a partir de 30/10/2020, pagar os alugueres vencidos no período de forma parcelada, associado ao aluguel do mês).

Todavia, esse polêmico trecho sofreu grande rejeição dos parlamentares e foi criticado por diversas emendas que pleitearam sua exclusão ou adequação para preservar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Por esse motivo, foi suprimido do texto final e não constou do projeto substitutivo que foi aprovado.

De acordo com a justificação apresentada pelo Senador Oriovisto Guimarães para requerer a supressão total do artigo 10, “o mais prudente nessa situação é proteger a negociação entre as partes, pois são os contratantes que têm conhecimento das particularidades do contrato. Eles possuem melhores condições de avaliar o que precisa ser alterado durante a crise proveniente da pandemia, devendo ser priorizada a vontade dos contratantes, sem a intervenção do estado. Aliás, a previsão de negociação entre as partes sempre existiu e já é tradição consolidada nesse setor, ou seja, não há necessidade de uma lei para determinar isso de forma obrigatória”.

O consenso que aparentemente se formou na deliberação do Senado Federal – e que aparenta ser a solução mais adequada, como reiteradamente vem sendo defendido por esta banca de advogados –, é o de que as obrigações contratuais firmadas entre locador e locatário, especialmente as de ordem pecuniária, não podem ser simplesmente suspensas ou isentadas de forma ampla e indiscriminada, sob pena de se atribuir apenas a uma das partes o ônus e o risco do negócio, criando um irreversível desequilíbrio nas bases contratuais.

O Projeto de Lei 1179/2020 agora segue para revisão na Câmara dos Deputados e, caso aprovado em ambas as Casas, para posterior sanção ou veto pela Presidência da República.

Independentemente da aprovação desse ou dos demais projetos, é importante relembrar que inexiste um procedimento padronizado aplicável a todas as relações locatícias, sendo imprescindível a análise específica do caso concreto, preferencialmente com o suporte de advogado especializado.

Além disso, asseveramos que os contratantes devem sempre priorizar a solução de conflitos com proporcionalidade e razoabilidade, utilizando-se do bom senso para decidir, conciliar e buscar a máxima segurança jurídica possível para que todos consigam sobreviver a este turbulento período no qual nos encontramos, sempre observando o princípio da boa-fé e o dever de cooperação.

 

Plenário do Supremo Tribunal Federal reconhece a competência legislativa concorrente dos entes federados no combate à Covid-19
Por Dr. Mozart Iuri Meira Cótica, advogado do Setor de Direito Administrativo do Escritório Casillo Advogados.

Nesta quarta-feira (15/04), o Plenário do Supremo Tribunal Federal se reuniu em sessão realizada por videoconferência, onde referendou, por maioria, a medida cautelar deferida em março pelo ministro Marco Aurélio na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 6.341, que foi proposta pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) para questionar a redistribuição de poderes de polícia sanitária introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 926/2020 na Lei Federal nº 13.979/20, a qual estaria interferindo no regime de cooperação entre os entes federados, pois confiou à União Federal as prerrogativas de isolamento, quarentena, interdição de locomoção, de serviços públicos e atividades essenciais e de circulação, em detrimento dos gestores de saúde locais.

Dessa forma, a Suprema Corte reconheceu que a disciplina decorrente da MP nº 926/2020, no que imprimiu nova redação ao artigo 3º da lei 13.979/20, não contrariou a Constituição Federal, pois não afastou a competência nem a tomada de providências normativas e administrativas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios para o enfrentamento da emergência de saúde pública causada pelo novo Coronavírus.

Ainda, foi acrescida interpretação conforme a Constituição ao §9º, do artigo 3º da lei nº 13.979/20, para explicitar que, preservada a atribuição de cada esfera de governo, o Presidente da República poderá dispor, mediante decreto, sobre os serviços públicos e atividades essenciais.

Essa interpretação foi proposta pelo ministro Edson Fachin, que ficou incumbido da lavratura do acórdão, visando deixar claro que a União Federal pode legislar sobre o tema, mas que o exercício desta competência deve sempre resguardar a autonomia dos demais entes federados, sob pena de violar o pacto federativo e o princípio da separação dos poderes.

Com essa decisão, o Supremo Tribunal Federal confere aos gestores públicos locais a devida legitimidade para a edição dos atos normativos necessários à implementação das medidas de prevenção e combate à pandemia, ao mesmo tempo em enfraquece aquela sensação de insegurança jurídica que vinha sendo vivenciada pela população de um modo geral para o desenvolvimento das suas atividades pessoais, profissionais e empresariais.

De todo modo, conforme ressaltado anteriormente, caso a norma local traga disposições extremamente rígidas e desproporcionais capazes de causar mais prejuízos do que aqueles que pretendia evitar, mesmo com essa decisão da Suprema Corte, ainda é possível questionar seu conteúdo judicialmente, o que deve ser ponderado em cada situação concreta.

 

Aprovada Medida Provisória que define os parâmetros para o reembolso ao consumidor quanto aos eventos e serviços turísticos e de cultura, cancelados em razão do Novo Coronavírus (Covid-19)
Por Luiz Phillip Nagy Guarani Moreira, advogado do Setor de Contratos e Victor Petrochinski, acadêmico de direito.

Foi publicada no dia 8 de abril de 2020, a MP nº 948/2020, a qual dispõe sobre o cancelamento de serviços, reservas e/ou eventos relacionados ao setor de turismo e cultura, em razão do estado de calamidade pública decorrente da atual pandemia do Coronavírus (Covid-19) no Brasil.

Segundo definido pela MP nº 948/2020, a atual conjuntura da pandemia da Covid-19 é caracterizada expressamente pela lei como hipótese de caso fortuito/força maior, afastando a aplicação de algumas previsões legais gerais previstas no Código de Defesa do Consumidor (art. 5º).

Na hipótese de quaisquer cancelamentos de serviços, reservas e/ou de eventos envolvendo os setores de turismo e cultura, o respectivo prestador de serviço não será obrigado a reembolsar imediatamente os valores pagos ao consumidor, desde que assegure ao cliente as seguintes possibilidades previstas em lei:

I. A eventual remarcação do serviço, evento ou da reserva anteriormente feita, no prazo de 12 meses contados do encerramento do estado de calamidade pública, respeitando a sazonalidade e os valores dos serviços inicialmente contratados (art. 2º inc. I); e/ou

II. Disponibilize crédito para uso ou abatimento na compra de outros serviços oferecidos pelo prestador de serviço contratado, pelo período de 12 meses, contados da data de encerramento do estado de calamidade pública (art. 2º inc. II); e/ou

III. Viabilize um novo acordo com o consumidor (art. 2º inc. III).

Em nenhuma destas situações o prestador de serviço poderá cobrar taxas adicionais do consumidor, desde que o consumidor formalize a opção por uma das opções mencionadas acima, em até 90 (noventa) dias, contados da entrada em vigor da MP nº 948/2020 (art. 2º, § 1º).

Caso seja impossível realizar o ajuste nas hipóteses mencionadas acima, o prestador de serviço deverá restituir ao consumidor dos valores já pagos por este, no prazo de 12 meses contados da data de encerramento do estado de calamidade pública, atualizado monetariamente pelo IPCA-E (art. 2º, § 4º).

Ainda, especificamente para situações que envolvam shows, rodeios, espetáculos musicais e de artes cênicas, os artistas que foram contratados anteriormente à data de edição da MP nº 948/2020 não terão que reembolsar imediatamente os valores referentes ao cachê do evento cancelado, desde que disponibilizem uma data futura para que seja remarcado o evento, no prazo máximo de 12 meses, contados a partir do encerramento do estado de calamidade pública (art. 4º).

Caso o evento/show não seja remarcado dentro do prazo, os valores já pagos deverão ser restituídos no prazo de 12 meses, contados da data de encerramento do estado de calamidade pública, atualizado monetariamente pelo IPCA-E (art. 4º, Parag. Único).

Ainda, tendo em vista que a MP nº 948/2020 define expressamente que a atual pandemia do Covid-19 é uma situação de caso fortuito/força maior, o eventual cancelamento/remarcação dos serviços incluídos no escopo da referida norma não ensejam a aplicação de danos morais, multas contratuais ou outras eventuais indenizações em benefício do consumidor (art. 5º).

Importante frisar que as disposições da MP nº 948/2020 incluem, mas não se limitam, às seguintes atividades econômicas: setor hoteleiro em geral, agências de turismo, organizadoras de evento, parques de diversões, cinemas, teatros e casas de shows em geral, restaurantes, bares, casas noturnas e afins, plataformas digitais de vendas de ingresso pela internet (art. 3º).

A MP nº 948/2020 é um importante instrumento para que os setores econômicos citados consigam sobreviver à grave crise atual, sem que os consumidores envolvidos sejam lesados em seus direitos. A Medida Provisória possui efeitos imediatos, portanto já se encontra em vigor. Todavia, sua conversão definitiva em lei depende da aprovação do Congresso Nacional.

A íntegra da MP nº 948/2020 pode ser acessada pelo site do Palácio do Planalto, pelo seguinte link.