Newsletter nº 812 – 05/19-25/17

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Repatriação de Recursos no Exterior – Nova Oportunidade
Dr. Jefferson Comelli, coordenador do Setor de Direito Administrativo e Ambiental do Escritório Casillo Advogados.
O Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT), conhecido como a Lei de Repatriação, abriu uma nova janela de oportunidade para quem possui valores mantidos no exterior, de origem lícita, e que não foram declarados ao fisco no devido momento. A Lei n.º 13.428, de 30 de março de 2017, que regulamenta a segunda rodada da repatriação prevê a possibilidade de regularizar estes recursos tanto para aqueles que optaram em não fazer a regularização anterior, como para aqueles que aderiram e que poderão agora fazer a complementação da declaração já enviada.
A novidade da lei, além da janela de regularização que agora é de 03/04/17 até 31/07/17, é a data-base da situação patrimonial que antes era o dia 31/12/14 e agora passou a considerar a data de 30/06/16, ou seja, quem possui ativos, bens e direitos existentes no exterior, anteriores a esta data, poderá fazer a regularização. O que houve de mais significativo na nova lei foi a multa administrativa sobre o valor do imposto que antes era de 100% (cem por cento) agora passou para 135% (cento e trinta e cinco por cento), mantida a alíquota de 15% (quinze por cento) do imposto devido.
Sem dúvida, a repatriação é uma excelente oportunidade para regularização de ativos, notadamente pela possibilidade de extinção da punibilidade de crimes fiscais, como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, mas é preciso ter cautela e muita atenção na declaração e, principalmente, na documentação comprobatória para que o declarante não seja excluído do regime.

Programa de Regularização Tributária de tributos federais – Prazo de adesão
Encerra-se no próximo dia 31 de maio o prazo para adesão ao Programa de Regularização Tributária (PRT), regulamentado pela Instrução Normativa RFB 1.687, de 31 de janeiro de 2017, por meio do qual podem ser liquidadas, sob condições especiais, quaisquer dívidas para com a Fazenda Nacional, vencidas até 30 de novembro de 2016, por uma das seguintes formas:
– parcelamento da dívida em até 120 prestações, com parcelas menores nos 3 primeiros anos (0,5% da dívida em 2017; 0,6% em 2018; 0,7% em 2019 e 0,93% nos 84 meses finais);
– pagamento à vista e em espécie de 20% da dívida e parcelamento do restante em até 96 prestações mensais e sucessivas; ou,
– quitação de até 80% da dívida com eventuais créditos que possua junto à Receita Federal, desde que haja o pagamento de 20% da dívida à vista e em espécie. Alternativamente, os créditos poderão ser utilizados para quitar até 76% da dívida, podendo os 24% restantes ser parcelados em 24 meses (é possível compensar débitos previdenciários com créditos relativos a prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativa da CSLL, ou ainda com outros créditos próprios, relativos a tributos administrados pela Receita Federal).
É possível parcelar débitos relativos a tributos passíveis de retenção na fonte, retidos e não recolhidos. O contribuinte que já estiver em outros programas de parcelamento poderá, à sua opção, continuar naqueles programas e aderir ao PRT, ou ainda migrar os débitos dos outros parcelamento para o PRT.

STF mantém aumento da Cofins instituído pela Lei 10.833/03
O Supremo Tribunal Federal (STF), considerou constitucional a elevação da alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para as empresas que estão no lucro real e no regime de não cumulatividade, estabelecida pela Lei 10.833/03.
A lei majorou a alíquota da Cofins de 3,0% para 7,6% para as empresas que estão no regime não cumulativo e estabeleceu a possibilidade de abatimento de créditos pelos custos com insumos. Desde então, os contribuintes que têm a maior parte de seus custos com mão de obra, por exemplo, alegam que não foram beneficiadas com a possibilidade de creditamento. Gastos com folha de salários não são considerados insumos e, portanto, não podem ser abatidos do valor de contribuição a pagar.
Segundo o voto do ministro Dias Toffoli, não há tratamento discriminatório no regime de não cumulatividade da Cofins. Ainda segundo o ministro Edson Fachin, não se trata de novo tributo, mas de majoração de alíquota. Os magistrados ainda vão fixar a tese da repercussão geral.
O caso concreto, julgado com repercussão geral, envolve a Geyer Medicamentos, para quem a forma como foi feita a instituição da Cofins não cumulativa implicou aumento de carga tributária. Porém, a legislação permite que os contribuintes escolham se vão ou não se submeter ao regime não cumulativo.

Mantida tributação sobre plano de venda de ações (stock options)
A 2ª Turma da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidiu que o Unibanco (hoje Itaú Unibanco) deve pagar Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre valores de programa de venda de ações a funcionários (stock options). Foi a primeira vez que a última instância do tribunal administrativo julgou o assunto.
Os planos de stock options consistem em oferecer ações aos empregados, muitas vezes por valor inferior ao de mercado, que só podem ser adquiridas após um período de carência e em alguns casos, após a compra, o funcionário deve ainda aguardar um determinado período para vendê-las. O Fisco analisa esses planos e, se considerar que há caráter remuneratório, autua as empresas.
O banco alegou a natureza societária e o caráter não salarial ou remuneratório dos planos de opção de compra de ações para tentar afastar a cobrança. Para a instituição financeira, não há renda diante de mera possibilidade de exercício de um direito de compra de ações. No entanto, na instância administrativa, prevaleceu o voto do relator, conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que considera que os planos de stock option sempre têm caráter remuneratório, pois o destinatário do plano só adquire direito de comprar ações por estar trabalhando. A conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, acompanhou o entendimento pela tributação, mas com argumentação diferente. Ela entendeu que a natureza remuneratória ocorre pela falta de risco de quem participa de um plano de stock option.

Comerciário soropositivo não consegue comprovar dispensa discriminatória
A 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) não acolheu recurso de um comerciário de Jaraguá do Sul (SC), em pedido de dano moral por dispensa discriminatória contra a MKJ Importação e Comércio Ltda. O entendimento que prevaleceu foi o de que a empresa rescindiu o contrato por motivações técnicas, não havendo evidências de tratamento diferenciado dado ao empregado.
No recurso ao TST, o trabalhador insistiu que sua dispensa ocorreu depois do conhecimento pela empresa do resultado de seus exames. A chamada presunção de dispensa discriminatória é amparada pela Súmula 443 do TST, que, com fundamento em princípios constitucionais, como o da dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho, considera arbitrária a dispensa de trabalhador portador de doença grave que suscite estigma ou preconceito. De acordo com a súmula, o empregado tem direito à reintegração ao emprego.
Todavia, o relator do recurso do comerciário na 1ª Turma, ministro Hugo Carlos Scheuermann, explicou em seu voto que a presunção pode ser afastada por prova em contrário do empregador que demonstre ter havido outra motivação lícita para a dispensa que não a saúde do trabalhador, ou por desconhecimento do seu estado. No caso, o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) registrou que, embora já tivesse ciência da doença antes da demissão, a MKJ demonstrou “de forma efetiva” que a motivação foi o enxugamento do seu quadro funcional. A decisão foi unânime. (RR-4907-08.2010.5.12.0002)

Operador contratado na Bahia não consegue ter reclamação trabalhista julgada em Sergipe
A Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho (TST), reconheceu a competência territorial de uma das Varas do Trabalho de Itabuna (BA) para apreciar reclamação trabalhista de um operador de máquinas que reside em Estância (SE), que havia sido contratado para prestar serviço na cidade baiana.
Em decisão anterior, a 2ª Turma do TST havia reconhecido a competência da Vara do Trabalho onde reside o ex-empregado para analisar e julgar sua ação, considerando que ele não dispunha de meios financeiros para arcar com os custos de deslocamento para Itabuna, distante cerca de 560 km. Em embargos à SDI-1, a empresa sustentou que o empregado, por ter sido contratado e prestado serviços exclusivamente em Itabuna, deveria ter ajuizado a ação trabalhista naquela cidade, e não em Estância.
O relator dos embargos, ministro Cláudio Brandão, explicou que o artigo 651 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define que a competência é determinada pelo local da prestação de serviços, e, quando o empregador realiza atividades fora do lugar do contrato, o trabalhador pode ajuizar a reclamação, tanto no local da contratação quanto no da prestação dos serviços. Ressalvou porém que, diante do princípio do livre acesso à Justiça, da hipossuficiência econômica e da distância entre seu domicílio e o local da prestação dos serviços, a competência seria do juízo do domicílio do autor, mas destacou que o TST firmou entendimento no sentido de que essa hipótese só se aplica quando a empresa possuir atuação em âmbito nacional e, ao menos, que a contratação ou a arregimentação tenha ocorrido naquela localidade. O relator proveu os embargos para determinar a remessa dos autos a uma das Varas do Trabalho de Itabuna. (E-RR-73-36.2012.5.20.0012)

Válida penhora de salário para pagamento de aluguéis atrasados
A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), manteve decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que determinou a penhora de dez por cento do salário do locatário para pagamento de aluguéis atrasados há mais de uma década e respectivos encargos. A decisão foi unânime.
No recurso especial o locatário defendeu a impossibilidade de penhora do salário para o pagamento de verba de natureza não alimentar. Segundo o recorrente, o bloqueio de parte de sua fonte de renda compromete sua subsistência e de sua família, já que sua remuneração é essencial para a manutenção da unidade familiar.
Segundo a ministra relatora, Nancy Andrighi, a garantia da impenhorabilidade de rendimentos constitui uma limitação aos meios executivos que garantem o direito do credor, fundada na necessidade de se preservar o patrimônio indispensável à vida digna do devedor. Entretanto, considerando no caso a existência de duas vertentes aparentemente opostas do princípio da dignidade da pessoa humana – o direito ao mínimo existencial do devedor e o direito à satisfação executiva do credor -, a ministra apontou a necessidade da realização de um juízo de ponderação para que, excepcionalmente, possa ser afastada a impenhorabilidade de parte dos vencimentos do devedor.
Nancy Andrighi também ressaltou que, ao negar o pedido de desbloqueio da verba remuneratória, o tribunal paulista entendeu que não havia outra forma de quitação da dívida e, além disso, concluiu que a constrição de pequeno percentual da remuneração do devedor não comprometeria a sua subsistência.
“Sob essa ótica, a regra da impenhorabilidade pode ser relativizada quando a hipótese concreta dos autos permitir que se bloqueie parte da verba remuneratória, preservando-se o suficiente para garantir a subsistência digna do devedor e de sua família”, concluiu a relatora ao negar provimento ao recurso. (REsp 1547561)