Acervo de Arte

UM IMÓVEL HISTÓRICO

Destacado na paisagem por sua arquitetura de estilo palaciano, o sobrado rosa da esquina das Ruas Lourenço Pinto e Sete de Setembro foi construído por volta de 1850, época em que a arquitetura de Curitiba passava por intensas modificações, perdendo o ar luso-brasileiro que até então a caracterizava.

Muito desta transformação se deu em função da entrada de mestres de obras alemães e italianos, em especial, nas construções locais, em meados dos Oitocentos. A própria arquitetura do sobrado reflete os traços desses profissionais que, provavelmente, se fizeram presentes na obra.

As linhas neoclássicas e a galeria de pórticos encimada por terraço, a cobertura em quatro águas, oculta por platibanda e adornada por jarros, asseguram a influência dos mestres italianos.

A construção do imóvel foi contemporânea às transformações sofridas pelo imenso largo fronteiro, batizado Eufrásio Correia, em 1888. De vegetação rasteira, o largo começou a se modificar no começo dessa década, quando tiveram início a construção da estação ferroviária e o projeto de expansão urbana para a região.

As obras da estação deram impulso e trouxeram ares de modernidade a um espaço distante apenas oitocentos metros do núcleo central da cidade, mas até então desabitado.

Ruas próximas, como a Silva Jardim, Marechal Floriano Peixoto e a Desembargador Westphalen, receberam melhoramentos; outras, transversais, foram retificadas. A Liberdade, hoje Barão do Rio Branco, foi aberta, transformando o edifício da estação no ponto focal de uma perspectiva que ligava o terminal ferroviário ao centro tradicional de Curitiba.

No entorno da estação e na Rua da Liberdade, hotéis e casas comerciais se instalaram; sobrados, misto comércio e residência, foram construídos. Órgãos públicos, como o prédio da Assembleia, hoje Câmara Municipal, e o Palácio do Governo, antiga sede do Museu da Imagem e do Som (MIS), encontraram na Liberdade endereço propício, pois a via, além de passagem obrigatória para a maioria das autoridades que aqui chegavam, era também o palco para desfiles cívicos.

Nesse contexto, foi erguido o sobrado rosa de ressaltos brancos, propriedade da família do coronel Amazonas de Araújo Marcondes até o começo do século 20. Sabe-se que, até então, o imóvel tivera pouco uso residencial, pois quando foi vendido para o italiano naturalizado brasileiro, Emilio Romani, já abrigara escritórios da firma que gerenciava o serviço de bondes de tração animal de Curitiba, a administração da estrada de ferro francesa, que construía a extensão da ferrovia até Ponta Grossa, e o 39º Regimento de Infantaria da capital, ali localizado por volta de 1894. Com a saída da Infantaria, o prédio foi ocupado pelo 2º Regimento de Engenharia, vindo de Porto Alegre.

Emilio Romani adquiriu o imóvel para fins de investimento, razão pela qual o sobrado continuou a ter uma série de usos comerciais e institucionais ao longo dos anos. Sediou armazéns, clubes esportivos, sociedades beneficentes e órgãos públicos.

Na década de 1920, ali esteve o Britânia Futebol Clube, que treinava na área onde hoje se encontra a Universidade Tecnológica do Paraná, antigo CEFET. O clube tinha sede na Rua 15 de Novembro, mas logo se transferiu para o imóvel defronte à Praça Eufrásio Correia, endereço mais próximo dos locais de treino.

Essa sede entrou para a história como a mais charmosa do Britânia: “(…) mas o charme do clube foi mesmo a sede social, no belíssimo edifício, hoje da firma Emilio Romani, na Praça Eufrásio Correia, em frente à antiga estação ferroviária. Havia jogos, jantares e bailes todos os domingos. As vitórias e os títulos do Britânia eram comemorados com grandes festas, reunindo as moças da sociedade, torcedores e, principalmente, os jogadores”.

Outro time que teria ali se instalado foi o Clube Atlético Ferroviário. A vocação para atividades desportivas no local manteve-se por um bom tempo.

Em 1932, foi inaugurado um centro de preparação física destinado aos jovens, como noticiou a Gazeta do Povo: “Inaugura-se hoje o Centro de Preparação Física em nossa capital, graças aos esforços de Lotário Krueger, o consagrado atleta conterrâneo. O aludido centro acha-se instalado no amplo prédio da Praça Eufrásio Correia, antiga sede do Britânia Futebol Clube, já encontrando-se inscritos grande número de jovens para tomar parte nas aulas que terão início hoje”.

Nos anos de 1940, o imóvel apresentava sinais da passagem do tempo. Ameaçado de demolição pela prefeitura, dado seu estado precário, foi recuperado pela família Romani, com apoio da Companhia de Força e Luz do Paraná, que posteriormente ocuparia o prédio.

Poucos anos depois, no entanto, os salões que abrigaram atividades esportivas e o cotidiano de uma repartição novamente cederam lugar às festas. Em meados da década de 1950, o sobrado era ocupado pela Sociedade Operária Beneficente 14 de Janeiro, famosa por seus bailes.

Em 1961, a casa passou para a Adpar – Administração e Participações, empresa pertencente à família Romani, que assumiu, a partir de então, o gerenciamento do imóvel. No entanto, foi somente na década seguinte, em 1973, que a empresa, responsável pela industrialização de açúcar, café, arroz e sal, transferiu seus escritórios para o sobrado. As atividades da empresa permaneceram no local até meados de 1984, quando ali se instalou a Fundação de Promoção Social do Paraná (Promopar).

O reconhecimento público do sobrado como bem de valor cultural veio em 1977, quando o imóvel foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado, apenas um ano após o tombamento da antiga estação ferroviária. Depois que a Promopar deixou o imóvel, ele ficou tombado e em péssimo estado de conservação.

Em 1999, com a aquisição pelos atuais proprietários, foi totalmente restaurado, mantendo-se suas características originais. Hoje abriga o Escritório Casillo Advogados.

Marcelo Saldanha Sutil
Coord. Pesquisa Histórica/Fundação Cultural de Curitiba

 

AS VÁRIAS CONCEPÇÕES ARTÍSTICAS DA DEUSA DA JUSTIÇA

Alegorias, crendices, credos, fé, lendas, mistérios, mitos, superstições e símbolos, cada conceito dentro de seus limites, têm larga e antiga convivência com o ser humano.

Tais manifestações, instintivas ou intelectuais, desenvolvem-se em maior escala quando faltam a compreensão e o conhecimento, principalmente diante da necessidade de identificá-las com uma ideia abstrata.

Observa-se, no caso da justiça, uma forte tendência para a utilização de uma imagem antropoforme como elemento de ligação entre a ideia e a forma. Esse aspecto é realçado quando a justiça é visualizada de maneira independente, ou pelo menos predominante a outras qualidades, como a sabedoria, o conhecimento, etc.

Dentre as várias representações culturais da justiça, sem dúvida, a mitologia grega é a que fornece as melhores fontes para a identificação de seus deuses e deusas e demais divindades.

No caso da Têmis, então, esta estaria vinculada mais às funções de controle moral, ordem e até mesmo de cerimonial entre os integrantes do Olimpo. Entre seus atributos, estaria o de fazer com que observassem a lei divina. Seria a justiça divina que também se aplicaria aos homens. Poderia ser comparada com a noção de “fas” no Direito Romano, com significado predominantemente religioso.

O DIREITO NA VISÃO DE LÍDERES E PENSADORES

SÍMBOLOS DA JUSTIÇA

Na imagem que representa a Justiça, três símbolos identificam seus atributos: a balança, a venda e a espada.

A balança indica o equilíbrio e a equidistância.

A venda não significa, como querem alguns, que a Justiça seja cega. A venda simboliza que a Justiça não deve tomar suas decisões pela aparência das partes, mas após ouvir os argumentos de fato e de direito.

A espada denota a força para garantir a execução das decisões.